Editorial TOP - A governança e as estranhas vontades - Por Franklin Mendonça

Tue, 01 Jun 2021 15:53:17 -0300 / 0 Comentários

O calendário eleitoral de 2022, conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marca para o dia 10 de outubro o primeiro turno da disputa. O início da propaganda eleitoral está definido para o dia 16 de agosto, quando então passa a ser permitida a realização de propaganda eleitoral, com os comícios, carreatas, distribuição de material gráfico e propaganda na internet (desde que não paga), entre outras formas. Veja bem: estamos tratando do ano de 2022 e se não houver algum adiamento em função da pandemia de Covid 19 ou qualquer outra triste adversidade. 

Mas, (e aqui é Brasil), calendários, datas, horários e muitas vezes até mesmo a palavra dada já, há tempos, não tem muita importância. O sistema vive e funciona de acordo com interesses e pressões de setores econômicos e políticos - os que detêm o poder para impor ou exercer suas estranhas vontades - interesses muitas vezes escusos mas, sempre defendidos em nome do país e do povo. 

E, neste momento em que vivenciamos uma tragédia humanitária de desfecho ainda imprevisível - ao menos por aqui -, os governantes, as lideranças políticas, em resumo: os que detêm o poder e os que podem pressioná-lo mostram-se incapazes de enxergar qualquer alternativa que vá além de suas estranhas vontades. 

Não pretendemos discutir aqui questões ideológicas ou político partidária. Queremos, simples e modestamente refletir sobre governança que é responsabilidade de quem exerce o poder e, subsidiariamente, de quem deve fiscalizá-lo e dos que, discordando desse exercício, se opõem. 

Aqui cabe a pergunta: como anda a governança no Brasil? 

Governança entendido como a capacidade de planejar, formular e programar políticas e cumprir funções na administração dos recursos sociais e econômicos de um país visando o desenvolvimento e consequente bem-estar social. 

Vejamos: faltando mais de um ano para o início do processo eleitoral, o presidente da República, Jair Bolsonaro dedica quase integralmente o seu tempo a manifestações, declarações e decisões de governo claramente eleitorais. (Ou eleitoreiras?) As aglomerações promovidas por ele a cada final de semana pelas capitais caracterizam claramente isso. Seja com caminhoneiros, ruralistas ou motociclistas e, quase sempre precedidas de declarações ou decisões que beneficiam os grupos manifestantes. Vide interferência nos preços dos combustíveis, isenção de pedágio para motos…. 

Na outra ponta, a da responsabilidade subsidiária, os que se opõem parece que aceitaram o desafio, a provocação a um embate eleitoral antecipado e entraram em campo para disputar uma partida irresponsável cuja vitória só pode ser o agravamento de uma crise sanitária insistentemente prevista e alertada por organismos nacionais e internacionais da saúde. Não seria uma alternativa se opor ao desgoverno com um projeto de governo responsável, justo? Será que a única saída é a demonstração suicida de força nas ruas. 

Aglomerações desmascaradas versus aglomerações mascaradas? 

Uma democracia, entendida da maneira mais simples, pressupõe a convivência entre governo (ou situação), oposição (do contra), além dos autodenominados independentes (ou em cima do muro). A cada qual o seu papel, sua tarefa. Ao aplicarmos essa interpretação de democracia, um tanto simplista (reconheço), ao que acontece neste momento na política brasileira, é fácil considerar que nossa democracia não cabe em conceitos facilmente compreensíveis; carece de uma profunda tese filosófico/existencial. 

Franklin Mendonça 

Maio 2021